Estas pinturas nascem do encontro entre matéria e movimento. Pinceladas largas, raspagens e escorridos constroem superfícies que oscilam entre o denso e o etéreo. Em algumas telas, a tinta se acumula em camadas espessas e texturizadas; em outras, dissolve-se em véus quase transparentes, como névoa ou água em movimento.

A paleta transita entre o verde-água e o azul-glacial, os pretos profundos, os cinzas enevoados e os tons terrosos de ocre e areia. Pontos de amarelo ou verde-limão surgem como pequenos acidentes de luz. Essas cores evocam paisagens sem representá-las: cachoeiras, geleiras, horizontes de tempestade, marés. O que se vê não é um lugar, mas a sensação de estar diante dele.

Cada obra guarda vestígios do processo: camadas sobrepostas, áreas apagadas e retomadas, respingos e marcas do gesto. O silêncio das superfícies mais sóbrias dialoga com a energia das mais vibrantes. O olhar é convidado a se demorar, percorrer a tela e completá-la com a própria memória.

Newman Schutze